Adaptação

Não vou mentir: tenho sido um péssimo blogueiro. Eu adoro este espaço, adoro chegar aqui e escrever sem me preocupar com quase nada, apenas falando o que eu quiser e esperando pelos comentários das três ou quatro pessoas que comentam aqui. São poucos, mas como são de coração, eu adoro. Eu adoro também chegar aqui e usar toda sorte de piadinhas e trocadilhos infames demais pra eu ter coragem de incluir em algum texto “profissional”. Enfim, há muitas coisas neste blog das quais eu gosto.

Ele me acompanha há mais de 3 anos (juro que, pra mim, parece muito mais), já teve 2 nomes e 4 endereços diferentes, com no mínimo 3 modelos de layouts diferentes, sendo que o primeiro foi eu mesmo que fiz. Se eu fosse imprimir todos os posts já publicados, daria facilmente um livro do respeitável tamanho de clássicos como Feliz Ano Velho, senão ainda maior.

Nele, já fiz e recebi declarações de amor, já contei sucessos e fracassos, já colei letras de música de artistas famosos e minhas. Já escrevi coisas de que me envergonho, mas também há os textos que eu mandaria para qualquer pessoa como portifólio. Há os textos que eu publicaria em algum livro de contos e os que publicaria em um livro de piadas. Há risadas e há raiva em menos de três posts de distância.

Por essas e outras que eu amo este blog. Por que outro motivo, afinal, eu teria escrito 3 parágrafos só falando sobre ele? Independente da resposta, a pergunta não é essa. A pergunta é “Por que diabos eu não tenho escrito mais aqui, então?”

Mea culpa. Como o título deste post entrega, estou passando por uma fase de adaptação muito grande. Pela primeira vez eu tenho um emprego com o qual eu realmente me importo. Meu último emprego, na Liga DG, foi incrível, me abriu portas, me ajudou a acreditar mais em mim e me ajudou a melhorar. Espero que o pessoal de lá saiba o quanto eu curti e aprendi durante os seis meses que fiquei lá. Mas a verdade é que, no fundo, eu sempre soube que não ficaria lá por muito tempo. Desde o primeiro até o último dia em que eu sentei naquela cadeira eu estava esperando ser chamado por outra empresa. Pela empresa que paga o meu salário hoje. Nas últimas semanas antes de vir pra cá em definitivo, fui até surpreso por uma proposta de uma outra, concorrente. Cogitei seriamente a possibilidade de ir para lá, mas no fim das contas eu acho acho que não era pra ser. Aqui é o meu lugar.

Aqui eu tenho uma criança para cuidar e, sinceramente, ela até que dá um trabalho considerável. E, como toda criança, ela logo vai crescer (aguardem!), e até certo ponto sou eu que tenho que guiar esse crescimento. Isso é um esforço diário.

Além disso, há o fator distância. Em Cachoeirinha era fácil: era só pegar o Direto e em 25 minutos eu estava na capital. Mais 15 minutos em algum outro ônibus e eu estava em praticamente qualquer lugar da cidade. Aqui, amigos, é bem diferente: em 25 minutos eu chego, de ônibus, na estação de trem. De lá eu pego o tal do trem e lá se vão mais uns 30 minutos, arredondando, até a estação de metrô. Mais uns 30 minutos e uma baldeação e eu estou na estação de destino, onde mais uns 5 minutos de caminhada me separam da minha cadeira no terceiro andar. Some a isso o tempo de espera de cada uma dessas conduções e fica fácil concluir quanto tempo eu perco diariamente só no caminho casa-trabalho/trabalho-casa: quase 4 horas.

E ainda tem os jogos. Quando se tem um trabalho que se confunde com lazer, acaba se confundindo o lazer com trabalho também. Resultado: eu tenho reservado muito do meu tempo para jogar videogame, mesmo que sejam jogos que eu não tenho a obrigação de jogar para análise. Afinal, como eu posso ser um jornalista respeitado da área de games se eu nunca terminei God of War, não sei a diferença entre FIFA Soccer e Winning Eleven e nunca joguei Viewtiful Joe, Katamari Damacy e Guitar Hero? Seria como querer escrever sobre cinema sem nunca ter assistido Casablanca, Titanic, 007 Contra Qualquer Coisa e sei-lá-eu mais quais são os filmes que um crítico de cinema tem que conhecer. Eu tenho uma geração inteira de games para correr atrás e conhecer, e isso está me deixando seriamente com os cabelos em pé. Eu preciso jogar MUITOS jogos – a maioria deles até o fim – e isso É importante. Por mais que pareça uma mera desculpa.

O que me traz de volta ao blog e à tal da adaptação. Enquanto eu não conseguir organizar melhor a minha vida (o que nem é tão difícil assim, se eu parar para pensar), eu não vou conseguir achar o tempo (que eu sei que tenho) para atualizar os blogs.

Mas isso não é desculpa, eu sei.
Eu tenho sido um péssimo blogueiro, eu sei.
Eu sempre prometo voltar a postar e não cumpro, eu sei.

Mas agora, de certa forma, eu sei de muito mais coisas.

7 Respostas

  1. Insano! Sempre com textos muito bacanas… Se bem que esse tema de ser um péssimo blogueiro eu já li em algum lugar, hehe.

    Enfim, quero muito jogar Katamari Damacy, tava lendo sobre esse jogo, parece muito interessante! Preciso comprar um ps2 novo, ou consertar o velho. Ou então desistir dessa vida “next-gen” que eu nunca fui e comprar logo o meu DSlite e viver feliz para sempre comprando jogos baratos de GBA, e de vez ou outra comprando um novo jogo de NDS que valha a pena.

    Enfim…! Nos vemos no próximo show da RdO?

  2. Rapaz, não sabia que você tinha outro blog. Entrei aqui por acaso ao olhar a página dos Top Blogs em português do WordPress, e fui atraído pelo nome do Blog.

    Qual a minha surpresa em descobrir que era seu também!

    Muito legal. Continue escrevendo, aqui e lá no 16-BIT. Essa fase de adaptação passa rápido…

    Abraço, Jota A.

  3. Você deveria atualizar mais sim… Faz falta ler coisas novas aqui!
    E quanto a nova vida, era tudo o que a gente sonhava, né? ^^
    Ah, prometo não reclamar muito do tempo que você passa jogando! auhuhauhaah! ;P

    Te amo!
    Beijo!

  4. Nossa, nem me avisou que tinha atualizado… :(
    Sorte minha que eu sempre passo aqui, dia sim, dia não…
    Quando cheguei naquela parte do texto (“tenho que jogar coisas como God of War [...]“) não pude deixar de lembrar do nosso papo sobre Final Fantasy.
    Abração, Fábio!

  5. Puma, não avisei porque queria mesmo ver se tu ia notar por conta própria. Heheheh!

  6. Nem precisa avisar, é só usar um leitor RSS, que tá tudo resolvido!

  7. Por isso que o Naka sempre é o primeiro a comentar… :P

    Ouçam o que ele diz, pessoas! Usem RSS!

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